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‘Blonde’ é sobre sofrimento e faz da vida de Marilyn Monroe um terror incabível

Atualizado: 21 de mai. de 2023

As visões sexistas de Andrew Dominik torna a cinebiografia de Marilyn um conjunto de peças difíceis de assistir sem sentir repulsa

(Foto: Reprodução /Netflix)


O título desta crítica pode chamar atenção, porém digo que ele resume bem o filme em questão, que parece nenhum pouco interessado em explorar o lado humano, doce, gentil e marcante que Marilyn Monroe carregava em sua essência.


Ana de Armas aparece magnífica no papel, como Marilyn ela seria ovacionada, mas no filme certo, não neste. Ela é uma atriz deslumbrante e suas feições são bastante envolventes. Entretanto quando ela vem e aparece em um filme com intenções deturpadas da vida de Marilyn, o destaque acaba indo para outro caminho.


De início, o roteiro parece não saber bem como contar e dar início a sua história, parece mais que eu estava vendo uma experiência e várias tentativas mal sucedidas de criar algo novo e que parecesse incrível do zero. As escolhas visuais funcionam na maioria das vezes, porém eu senti que o diretor e os produtores decidiram ir no caminho do desdenho.


O uso das técnicas mirabolantes como a mistura de efeitos de zoom, mudanças a todo instante entre o colorido e o preto e branco, muita coisa que não faz sentido algum mas está ali, não existe explicações para algumas das ideias colocadas no visual do filme e isso nem é a pior parte dele.


Vejo que o foco aqui é no trauma, no sofrimento feminino, nos piores momentos de uma estrela que merece mais uma vez ser sexualizada em tela, é quase um blockbuster de momentos terríveis. Ele em toda a sua totalidade desonra a imagem, vida e carreira de Marilyn Monroe, ele é injusto, ele mexe com você (não de maneira positiva, de fazer você se apegar naquela personalidade e se encantar com ela, mas de uma maneira que mexe diretamente no sentimento de empatia) e você cria uma aversão as escolhas em torno de todo o filme, o fato da presença de nudez explícita não incomoda quando usada com propósito e com um porquê, o que realmente incomoda é como isso é colocado aqui, a visão do diretor, que por sinal é super problemática, é totalmente sexista, e torna o filme algo que faça qualquer um se perguntar o motivo de estar assistindo aquilo.


É triste porque a todo momento estamos assistindo desastres, o longa foca nisso, a cada segundo algo pesado ocorre com a protagonista, como se a vida da mesma fosse resumida apenas a isso diante toda sua grandeza. Em NENHUM momento o roteiro explora outros prismas de sua vida e constrói algo que te faça se sentir bem, a sensação é de que eles precisavam de um filme onde uma mulher estivesse sofrendo, tendo seu corpo a todo momento sofrendo abusos extremo e passando pelo todo tipo de dor por quase 3 horas seguidas.


Todo o filme pode até ser baseado em um livro e não ter a função de ser uma cinebiografia fiel a realidade, entretanto você acredita que isso é desculpa para explorar o corpo feminino e fazer o que fez por quase 2 horas e 40 minutos ?


Se você quer uma nota minha, eu não daria nota. Vale relembrar, diretor: Andrew Dominik, roteiro: Andrew Dominik, produção: Brad Pitt, Scott Andrew Robertson, Dede Gardner, Jeremy Kleiner, Tracey Landon.


Blonde é uma releitura triste e dolorosa da vida de Marilyn Monroe, um dos ícones mais famosos de Hollywood, e retrata apenas as visões de um diretor homem que esquece o propósito fundamental quando se leva um ícone para ser retratada em tela.


Ou, ele deixou muito na cara o seu próprio propósito em pôr o ícone na tela.


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