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Álbuns que moldaram o Brasil moderno: VAI PASSAR MAL

há 29 minutos
2 min de leitura

Uma drag queen maranhense colocou sua voz, seu corpo, sua estética e sua identidade no centro da música pop brasileira.

Álbuns que moldaram o Brasil moderno: VAI PASSAR MAL

Foto: Marlon Brambilla


Tudo mudou depois de Pabllo Vittar. Em 2017, quando ‘Vai Passar Mal’ chegou às plataformas, uma drag queen maranhense colocou sua voz, seu corpo, sua estética e sua identidade no centro da música pop brasileira.


Não era apenas o nascimento de uma nova estrela. Era a chegada de uma artista que, em meio a um Brasil cada vez mais polarizado e atravessado por discursos conservadores, transformaria a própria ideia de quem poderia ocupar o imaginário popular do país. E, para milhares de pessoas que cresceram sem se enxergar nos grandes palcos, na televisão ou nas capas de revista, ver Pabllo chegar tão longe significava, pela primeira vez, enxergar também a possibilidade de chegar lá.


‘K.O.’, ‘Corpo Sensual’ e ‘Então Vai’ explodiram em um país que dançava enquanto discutia, nas ruas e nas redes sociais, os rumos de sua própria identidade. O sucesso ultrapassou as bolhas da comunidade LGBTQIA+ e fez de Pabllo uma presença impossível de ignorar. 


‘K.O.’ alcançou 100 milhões de visualizações no YouTube poucos meses depois de seu lançamento, um marco que ajudou a transformar a artista em um fenômeno nacional e que, naquele momento, também representava algo muito maior: uma drag queen ocupando o mesmo espaço de grandes estrelas do pop.


Pabllo não precisava esconder quem era para ser aceito pelo grande público. Ele chegava ao mainstream usando sua estética, performando sua arte e transformando experiências de desejo, romance, liberdade e autoestima em hits que tocavam em rádios, festas, carnavais e celulares por todo o país. 


Foto: Marlon Brambilla
Foto: Marlon Brambilla

‘Vai Passar Mal’ tinha a música brasileira a seu favor. O disco não parecia interessado em escolher entre ser brasileiro, popular, eletrônico, queer ou pop. Podia ser tudo ao mesmo tempo. E talvez seja justamente aí que esteja uma de suas maiores forças. Pabllo não chegou sozinho ao centro. Sua ascensão amplificou uma cena inteira. Depois dele, artistas LGBTQIA+ passaram a encontrar uma indústria um pouco mais aberta para ouvir suas vozes. 


Cada grande palco, campanha publicitária, programa de televisão, festival ou colaboração internacional que Pabllo conquistava, também aumentava o espaço disponível para outros corpos e outras histórias. Quando uma drag queen aparecia no topo das paradas, já não era possível dizer que aquele lugar não era para elas.



O impacto da representatividade também estava em quem assistia de casa. Para uma criança ou adolescente LGBTQIA+ crescendo em uma sociedade marcada pelo preconceito, ver Pabllo Vittar na TV era um símbolo afirmativo de força, celebração e resistência.


Esse texto faz parte de um material especial sobre os ‘álbuns que moldaram o Brasil moderno’. 


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