Rodrigo de Paula, o brasileiro que está revolucionando o mercado ao transformar shows ao vivo em experiências cinematográficas
- eolor

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Rodrigo é diretor criativo, produtor executivo e fundador da Sarça, produtora audiovisual reconhecida pela inovação narrativa.

Quando Rodrigo de Paula começou a filmar as primeiras imagens em casamentos, ele ainda não imaginava que, anos depois, estaria à frente de projetos para algumas das maiores marcas do país, criando experiências cinematográficas em shows, desfiles e eventos ao vivo. Em um catálogo marcado por experiências surpreendentes, com marcas como Boticário, Volvo e Meta, e artistas como Liniker e Anitta, Rodrigo também extrapolou as fronteiras do cinema ao assinar o plano-sequência do desfile mais recente da MISCI e o aclamado show de IZA no The Town.
“Eu vivo um sonho que eu nem sabia que podia sonhar”, diz Rodrigo, em entrevista exclusiva ao eolor. “Quando eu comecei nos casamentos, eu não imaginava chegar a esse lugar de trabalhar com grandes marcas e artistas do país.” Hoje, o profissional é diretor criativo, produtor executivo e fundador da Sarça, produtora audiovisual reconhecida por unir inovação narrativa, inteligência de produção e uma estética sensível e cinematográfica.
Homem negro, Rodrigo construiu uma empresa que saiu do zero, sem investidor, sem padrinho, sem aporte, apenas com a força do trabalho, fé e consistência. Aqui talvez resida parte de seu caráter revolucionário. “Aí eu entendi o quanto é raro, principalmente no mercado publicitário, ver um homem preto dono de produtora. Você vê profissionais pretos em várias áreas, principalmente depois de 2020, mas dono, líder, fundador… ainda é muito novo. Quase não existe”, afirma. Ele não esconde seus planos para o futuro: “Eu quero ser uma presença que inspira, que mostre para outras pessoas que é possível. Por isso, acredito que essa história precisa ser contada, porque pouca gente sabe que um homem preto construiu um ecossistema audiovisual que sustenta famílias, gera trabalho e entrega valor real para o mercado”.
A virada decisiva veio com o crescimento das transmissões ao vivo durante a pandemia. Enquanto muitos viam o formato apenas como um registro funcional, Rodrigo enxergou ali um território criativo pouco explorado. “No ao vivo, historicamente, a gente sempre se preocupou mais em não perder o momento do que em criar linguagem”, explica. “O que eu busco é trazer a lógica do cinema para o ao vivo: intenção de câmera, escolha de lente, textura de imagem, movimento pensado. É tratar o ao vivo com o mesmo cuidado de um set de cinema.”

“Para mim, o que diferencia um registro bonito de uma experiência cinematográfica é intenção e risco. Registro bonito é um bom trabalho de cobertura. Experiência cinematográfica é quando você dirige aquilo como cinema, mesmo sendo ao vivo, mesmo sem margem para erro”, diz. “Essa é a adrenalina do que eu faço: realizar coisas que parecem impossíveis, que quase ninguém quer se arriscar a fazer, porque exigem muita coragem e muita precisão.”
Mesmo consolidado, Rodrigo reconhece que sua trajetória ainda é atravessada por disputas desiguais. “Eu preciso provar bastante ainda, não só porque eu quero, mas porque o mercado me força a isso”, afirma. Para ele, o avanço profissional nem sempre está ligado ao dinheiro, mas ao acesso: “É sentar nas mesas certas, estar nos lugares onde as decisões são tomadas”. O empreendedor projeta um futuro que passa pela construção de uma produtora sólida e duradoura — e não hesita ao falar de sonhos maiores.
“Eu planejo ganhar o Oscar. Falo isso em voz alta porque acredito mesmo. Eu sei que, para muita gente, pode soar distante, mas, para mim, que saí de onde saí e vivi a jornada que vivi, isso virou um objetivo real. Talvez pareça improvável para quem sempre teve tudo, mas, para quem veio do nada, sonhar grande é quase uma necessidade”, defende. “Eu me vejo como um profissional generalista, não me encaixo em um rótulo só. Gosto dessa ideia de ser um showrunner: alguém que transita entre visão criativa, produção, direção e estratégia. Quero continuar sendo essa ponte entre arte e estrutura.”
Ao imaginar o mercado audiovisual brasileiro daqui a dez anos, Rodrigo é direto: “Eu quero que a Sarça seja uma dessas produtoras do novo tempo. Nascida fora do centro, nas bordas, com outra vivência, outra estética e outra inteligência de construção. Uma produtora que não só acompanha a mudança, mas ajuda a liderar essa mudança”.



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