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Eddy Soares, o bailarino brasileiro que chamou a atenção de Rosalía

"Quando eu comecei a estudar dança, eu nem tinha dinheiro direito para pagar minhas passagens para ir ensaiar", diz Eddy, que está conquistando o mundo com sua arte.

Eddy Soares

(Foto: Ramalho)


Edição: Arthur Anthunes e Gabriela Lins

 

A dança é transformadora, um instrumento de arte que dá vida a histórias fantásticas, como a de Eddy Soares, o brasileiro que está conquistando o mundo com seu talento e determinação. Artista, bailarino, coreógrafo, instrutor e pesquisador nas áreas das danças urbanas, Eddy já trabalhou com nomes como Luísa Sonza, Majur, Lexa, Duda Beat, Pabllo Vittar, Tove Lo, Selena Gomez e mais recentemente, com a estrela espanhola, Rosalía.


"Hoje eu me vejo em um lugar de muita importância sendo representatividade como um homem gay, preto e periférico ocupando lugares de relevância e respeito na área onde trabalho", diz Eddy, numa entrevista exclusiva ao eolor. Neste editorial, o bailarino conta um pouco sobre sua história, suas conquistas, inspirações e desejos para o futuro.


eolor: Olá Eddy, primeiramente, parabéns pelo sucesso profissional, é um prazer recebê-lo aqui no eolor. Me conte um pouco sobre sua trajetória, sua relação com a arte e sobre como começou sua vida na dança, como bailarino e coreógrafo.


Eddy Soares: Opa! Fico honrado pelo convite, um prazer estar aqui com vocês. Eu sou nascido e criado em periferia na cidade de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. Começo minha história com dança dentro de casa, meus pais se conheceram dançando em Baile Charme. Então desde dentro de casa até em festas de rua eu sempre tive essa relação com a dança de forma cultural. Sempre tive o sonho de dançar profissionalmente, porém não tinha dinheiro nem incentivo para fazer aulas, estudar e investir no que eu mais sonhava. Então comecei a estudar sozinho por vídeos até onde eu conseguia, daí apenas depois que terminei meu Ensino Médio (no auge dos meus quase 18 anos), eu consegui começar a fazer aulas de Hiphop. Participei de grupo competitivo, onde já competi em diversos festivais pelo país.


E a partir daí comecei a estudar diversas vertentes de outras danças, sempre buscando a minha personalidade e autenticidade como forma e expressão artística de acordo com minhas vivências.


Qual foi o momento que funcionou como uma chave de virada em sua carreira como coreógrafo? Aquele momento em que seu trabalho ganhou maior força?


Acredito que minha carreira ganhou mais força após protagonizar o clipe de “Are U Gonna Tell Her?“ da cantora Tove Lo, onde tbm colaborei coreografando. Esse clipe, além de ser uma das maiores obras de arte no quesito Videoclipes MADE IN BRAZIL, deu bastante visibilidade pra meu trabalho.

(Foto: Ramalho)


Você já trabalhou com grandes estrelas nacionais e internacionais, consegue citar suas experiências favoritas?


Vou fazer um TOP 5, posso?

1. Rosalía - MOTOMAMI Live Performance

2. Tove Lo - Are U Gonna Tell Her? (ft. Mc Zaac)

3. Selena Gomez - Selfish Love

4. Luísa Sonza ft. Anitta & Pabllo Vittar - Modo Turbo

5. Lexa - Bruta (Dance Vídeo)”



Agora, nos conte um pouco, na medida do possível, sobre sua participação no projeto 'MOTOMAMI', da Rosalía, como surgiu a oportunidade? Como tem sido a experiência após participar de um projeto global desse porte?


A única coisa que eu sou permitido a dizer, é que eu fiquei muito muito emocionado com o convite, e que é gratificante ver o quanto nossa arte está alçando voos BEM ALTOS. Enche meu coração de orgulho e esperança, acredito que o de muitas outras pessoas sonhadoras também.


Reconhecido, quais são seus planos para o futuro?


Meus planos para o futuro é ir ainda mais longe do que eu já fui, alcançar lugares que ninguém nunca achou que fosse possível. Dar ainda mais orgulho pra minha Mãe e pro meu irmão. E orgulho para todos os meu amigos, fãs, que me seguem, me apoiam e torcem por mim.


Não poderíamos deixar de perguntar, quais são suas maiores inspirações profissionais e como você se vê, hoje, ocupando um espaço de referência para tantas pessoas.


Eu posso ir para além de dança? A Beyoncé me inspira muito. Os meninos diretores do duo Alaska, Rosalía, Majur, Mecnun Giasar (Coreógrafo de MOTOMAMI), entre outros.


Hoje eu me vejo em um lugar de muita importância sendo representatividade como um homem gay, preto e periférico ocupando lugares de relevância e respeito na área onde trabalho. E pensar que quando eu comecei a estudar dança, eu nem tinha dinheiro direito para pagar minhas passagens para ir ensaiar, eu quase sempre tinha que pedir ajudar aos meus amigos para fazer “vaquinha” para pagar minha passagem de volta. Enfim, O mundo sempre dá muitas voltas e eu espero do fundo do meu coração que muito mais pessoas como eu se inspirem, resistam, não desistam dos seus sonhos e ocupem mais espaços junto comigo.

(Foto: Ramalho)


Aliás, nos indique trabalhos de outros profissionais da dança, que devemos conhecer e que você adora.


Posso fazer outro TOP 5?

1. Romulo Vlad (@romulovlad)

2. Pedro Reis (@pe_reis)

3. Bruno Barbosa (@brunoobarbosa)

4. Tanesha (@tanesha_cw)

5. Fernanda Fiuza (@fernanda_fiuza)

6. Arielle Macedo (@ariellemacedo)


Para finalizar, deixe uma mensagem, frase ou citação que você curte.


Vou deixar aqui o meu mantra diário (por Celina Knust):


O que é meu me espera

O que é meu me aceita

O que é meu me escolhe

O que é meu me retribui

O que é meu me encontra

Laroye.

 

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